Segunda-feira à nado

Todos os compromissos encavalados. Intervalo curto entre um e outro: impossibilidade do tempo da caminhada. Não saber qual caminho será feito. Ipê branco que faz parar, apesar do cachorro latir.

Nadar com calma. Sem pretensão de exercitar. Saborear o peso do corpo na água. Relembrar o cheiro de cloro da infância. E reforçar a cada inspiração.

O intervalo. Deixar de fazer. O pousio da ação que era praticada.

Voltar a fazer. Ir em frente. Libertar o corpo da pausa que o pensar convida, impedindo  de iniciar. E quando menos perceber, sentir o frio na barriga da queda livre.

Entre os galho há um passarinho.  Ontem aprendi que o Ipê floresce enquanto perde suas folhas.

Uma senhora falou no ônibus, naquela semana que fez aquele calorão, de como a rebrota exigem o seu lugar, como o velho precisa pousar no chão, se misturar com a terra, alimentar a raiz.

 

 

 

 

 

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